Movimento Ficha Verde

O Movimento Ficha Verde (MoFV) surgiu em 2012, na cidade de Manaus. A semente inicial foi uma percepção de que o Estado do Amazonas estava regredindo na sua política de meio ambiente e desenvolvimento sustentável. O batismo oficial, com o nome “Ficha Verde”, foi em 26 de julho de 2013, em uma reunião aberta realizada no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA. Estava presente um público bem diverso: desde estudantes até lideranças estaduais, que ocuparam posições de destaque na história ambiental do Amazonas.

A inquietude de todos era motivada pela percepção de que o Estado estava em um claro retrocesso, após um papel de destaque nacional e internacional na inovação em políticas públicas com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.

Outro ingrediente foi a percepção de que existia também um problema mais amplo, em escala internacional, nacional e municipal – incluindo Manaus. As políticas relacionadas com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável estão recebendo um nível de importância muito aquém do necessário, diante do gravíssimo estado de degradação dos igarapés, rios, oceanos e florestas em todo o mundo.

Um dos primeiros consensos construído pelo grupo que concebeu o Movimento foi o seu caráter apartidário e democrático. A preocupação de todos era criar um espaço aberto, capaz de aglutinar o maior número possível de ativistas. Outro consenso foi a necessidade de deixar para trás as pequenas diferenças e rivalidades entre pessoas e instituições, que lutam por ideais e sonhos comuns.

O “Ser Ficha Verde” significa atuar como um ativista comprometido em desafios ambientais e de sustentabilidade, tanto na esfera individual quanto coletiva. Particularmente, significa ter atitudes coerentes, incluindo reciclar o próprio lixo doméstico, usar água de chuva, economizar energia, etc. Na esfera coletiva, significa dedicar tempo e energia para apoiar causas e movimentos relacionados com as bandeiras ambientais e da sustentabilidade.

Participar do MoFV é simples. As reuniões são abertas e divulgadas pelo Facebook. Os objetivos e a governança do Movimento estão postadas no nosso site e em fase de constante construção e envolvimento. Está em discussão, aberta a todos os ativistas, o Plano de Ação do Movimento. A versão preliminar do Plano – construída em uma oficina realizada na UFAM, em fevereiro de 2014 – aponta para três objetivos. Primeiro, criar um espaço democrático para discussão e mobilização entorno de temas, causas e bandeiras socioambientais. Segundo, contribuir para o fortalecimento das políticas públicas nas esferas municipal, estadual, nacional e internacional. Terceiro, fortalecer o próprio movimento, ampliando o número de ativistas e simpatizantes.

A sociedade amazonense, ao dar esse passo histórico, dá uma importante contribuição para resgatar o óbvio. O estado que tem a maior floresta tropical do Brasil deve ser protagonista e não caudatário desse debate. Ao contrário, cabe ao Amazonas o desafio de se posicionar de forma inovadora nacional e internacionalmente.

Vivemos um momento crucial para a história da humanidade. Hoje, temos 7 bilhões de habitantes no Planeta. Em 2050, serão 9 milhões. Neste período, a demanda por alimentos aumentará em mais de 50%. A pressão pelo desmatamento para a ampliação dos cultivos crescerá de forma particular na Amazônia. A ciência mostra de forma cada vez mais clara o fato de estarmos próximos de ultrapassar os limites ecológicos que sustentam a vida no Planeta. A degradação dos oceanos, a perda da biodiversidade, a poluição dos rios e igarapés, a emissão de gases efeito estufa, a erosão dos solos, o desmatamento – dentre outros – é alarmante.

Apesar do quadro alarmante, há motivos para manter acesa a chama da esperança. A mobilização social está aumentando em todo o mundo. As mídias sociais criaram um novo e poderoso instrumento de aglutinar pessoas entorno de causas comuns. O desafio é fazer isso funcionar para um dos temas mais cruciais para nós, nossos filhos e netos: a manutenção dos serviços ambientais fornecidos pela natureza. Apesar de ainda pouco compreendido, isso é essencial para o futuro de todos nós.